Essa estranha sensação de não-pertencimento

Lá estava eu, no meio da multidão. A música que tocava era ‘Be The One’, uma das minhas favoritas no momento. Eu olhava para todas aquelas pessoas na pista de dança, seus movimentos frenéticos e os sorrisos estampados no rosto e resolvi que deveria fechar os olhos para tentar sentir também. Eu queria me conectar com aquele lugar, aquele momento, aquelas pessoas. Eu queria ver naquela situação a mesma energia que meus amigos, todos ao meu lado, viam. Mas simplesmente não conseguia. Eu estava ali, fisicamente, mas minha alma vagava em algum lugar bem distante dali. Eu não conseguia me conectar.

Aquela sensação estranha não era nova. Ela me acompanha há bastante tempo, embora eu não saiba dizer em qual exato momento da minha vida comecei a senti-la. Tampouco sei descrevê-la precisamente. Se eu tivesse que expor em palavras diria que é como se, às vezes, eu simplesmente não conseguisse me sentir parte do todo. Como se faltasse algo que me possibilitasse entrar na mesma sintonia dos demais. É uma constante sensação de não-pertencimento que me acompanha e da qual não sei como me livrar.

Talvez tenha raízes na ansiedade do dia-a-dia. Talvez tenha ligação com a tal “obrigação de ser feliz” que tanto atormenta a mim e a muitas outras pessoas. Ou talvez seja apenas porque ainda não encontrei algo forte o suficiente para destravar a alavanca que impulsionará o meu verdadeiro eu, em sua plenitude, para que finalmente consiga sentir as coisas em sua magnitude. Ou, quem sabe estejam nessas hipóteses meu erro fundamental: essa ânsia por querer atingir a plenitude do sentir pode ser justamente o que me impede de entender como alcançar tal feito.

Sempre me disseram que preciso acreditar mais nos poderes do universo, da vida, do tempo. Acima de tudo, aproveitar mais o presente. Mas esse aproveitar envolve muito mais do que estar ali. Envolve entender que, por hora, o “estar ali” é tudo o que eu tenho. O resto é vago. Sim, o resto é vago e deixar de viver a certeza em prol do incerto não é lá muito inteligente.

Eu sei disso, sei que preciso entender o quão valioso é o agora. Mas, ao mesmo tempo, buscar entender a fundo o que falta para que o presente se baste é um exercício importante para mim, sabe? Entender as raízes do vazio é o primeiro passo para preenchê-lo.

O que falta? Não é uma resposta que tenho na ponta da língua, tampouco algo que preciso escrever publicamente. É mais sobre refletir. Sobre perceber que, para me eu me sinta pertencente a qualquer lugar que eu esteja, primeiro preciso sentir que pertenço a mim mesmo.  E não sei se sinto. Não sei se me pertenço.

É… talvez eu deva partir daí.

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